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A árvore-das-trombetas (Catalpa bignonioides) é uma espécie de árvore decídua nativa do sudeste dos Estados Unidos, nos estados do Alabama, Flórida, Geórgia, Louisiana e Mississippi. Também é conhecida simplesmente como catalpa ou ainda catalpa-comum e catalpa-americana.
É comumente utilizada como árvore ornamental em jardins e ruas.
Taxonomia e etimologia
A espécie foi originalmente classificada no gênero Bignonia e nomeada Bignonia catalpa L., 1753, mas posteriormente foi separada em um gênero distinto, Catalpa Scop., 1777, e renomeada com base no nome anterior como Catalpa bignonioides Walter, 1788.
A palavra "catalpa" deriva de kutuhlpa, que na língua dos povos indígenas Creek (Muscogee) da América do Norte significa "cabeça alada", em referência à flor da árvore, que possui uma borda ondulada, com cinco lóbulos e formato de asa. Antes de a origem da palavra ser finalmente esclarecida, acreditava-se que o nome "catalpa" derivava do nome da tribo indígena Catawba da América do Norte, razão pela qual o segundo nome da planta, catawba, se consolidou em inglês.
Sinônimos
De acordo com o site Plants of the World Online (POWO), a árvore-das-trombetas possui 31 sinônimos científicos:
- Bignonia catalpa L.
- Bignonia spectabilis Salisb.
- Bignonia triloba T.Freeman & Custis
- Catalpa arborea Baill.
- Catalpa bignonioides f. aurea (Mast.) Schelle
- Catalpa bignonioides var. aurea (Mast.) Lavallée ex Bureau
- Catalpa bignonioides f. koehnei (Hesse) Paclt
- Catalpa bignonioides var. koehnei (Hesse) Dode
- Catalpa bignonioides f. nana (Otto & A.Dietr.) Paclt
- Catalpa bignonioides var. nana (Otto & A.Dietr.) Bureau
- Catalpa bignonioides f. pulverulenta (Rob.) Paclt
- Catalpa bignonioides var. pulverulenta (Rob.) Bean
- Catalpa bignonioides f. variegata (Bureau) Paclt
- Catalpa bignonioides var. variegata Bureau
- Catalpa catalpa (L.) H.Karst.
- Catalpa communis Dum.Cours.
- Catalpa cordifolia Moench
- Catalpa pumila Beck & Abel
- Catalpa speciosa f. albovariegata (Schwer.) Rehder
- Catalpa speciosa var. albovariegata Schwer.
- Catalpa speciosa f. pulverulenta (Rob.) Rehder
- Catalpa speciosa var. pulverulenta (Rob.) W.Paul & G.Paul
- Catalpa syringifolia Sims
- Catalpa syringifolia var. aurea Mast.
- Catalpa syringifolia var. koehnei Hesse
- Catalpa syringifolia var. nana Otto & A.Dietr.
- Catalpa syringifolia var. pulverulenta Rob.
- Catalpa ternifolia Cav.
- Catalpa tibetica Forrest
- Catalpa umbraculifera Ugolini
- Catalpium amena Raf.
Morfologia
É uma árvore caducifólia que cresce de 7,6 a 12,2 metros de altura, com copa de diâmetro igual ou maior e tronco de até 1 metro de diâmetro. A casca varia do marrom ao cinza, tornando-se placas ou cristas duras à medida que a árvore envelhece. O tronco, curto e grosso, sustenta ramos longos e desgrenhados, que formam uma copa ampla e irregular. As raízes são fibrosas e os ramos, quebradiços; a seiva é aquosa e de sabor amargo.
As folhas são grandes, verde-brilhantes e em formato de coração, medindo de 20 a 30 cm de comprimento e de 15 a 20 cm de largura. Surgem tardiamente e, como as folhas atingem o tamanho máximo antes da abertura das inflorescências, contribuem muito para a beleza da árvore florida. Secretam néctar — característica bastante incomum — por meio de grupos de minúsculas glândulas nas axilas das nervuras primárias. A secreção começa cerca de uma semana antes do desabrochar das flores e continua até dez dias após o término da floração.
As flores têm de 2,5 a 4 cm de diâmetro, formato de trombeta (daí seu nome comum), são brancas com manchas amarelas no interior e crescem em panículas de 20 a 40 flores. Nos estados do norte dos Estados Unidos, a árvore floresce tardiamente, produzindo grandes panículas de flores brancas em junho ou no início de julho, quando as flores de outras árvores já murcharam. Essas panículas cobrem a árvore tão densamente que quase ocultam completamente as folhas já desenvolvidas. O efeito geral é de branco puro, mas cada corola é salpicada de roxo e dourado; algumas dessas manchas dispõem-se em linhas ao longo de uma crista, conduzindo ao néctar no interior da flor. Uma única flor totalmente aberta tem cerca de 5 cm de comprimento e 4 cm de largura. É bilabiada, com lábios lobados — dois lóbulos na parte superior e três na inferior, como é comum nesse tipo de corola. A flor é perfeita, possuindo estames e pistilos; contudo, ocorre redução funcional: dos cinco estames esperados, três são estéreis, sem produção de anteras. Além disso, não ocorre autopolinização. Cada flor possui seus próprios estames e estigma, mas os lóbulos do estigma permanecem fechados até que as anteras liberem o pólen; após isso, abrem-se e passam a atrair insetos, como abelhas. Esse mecanismo favorece a polinização cruzada.
O fruto é uma vagem longa e fina, com 20 a 40 cm de comprimento e 8 a 10 mm de diâmetro; frequentemente permanece preso à árvore durante o inverno. A cápsula contém numerosas sementes achatadas, de cor marrom-clara, com duas asas papiráceas. Apesar da aparência, não é parente próximo dos feijões verdadeiros.
É aparentada à Catalpa speciosa, encontrada mais a oeste nos Estados Unidos, e distingue-se desta pelas panículas florais, que apresentam maior número de flores menores, e pelas cápsulas de sementes ligeiramente mais delgadas.
- Casca: marrom-clara, com tons avermelhados. Raminhos bifurcam-se regularmente aos pares, inicialmente verdes, com tons arroxeados e ligeiramente pubescentes; posteriormente tornam-se acinzentados ou marrom-amarelados e, por fim, marrom-avermelhados. Contém tanino.
- Madeira: marrom-clara, com alburno quase branco; leve, macia, de grão grosso e resistente em contato com o solo.
- Gemas de inverno: sem gema terminal; a gema mais apical é axilar. Minúsculas, globulares, profundas na casca. As escamas externas caem com o início do crescimento na primavera; as internas aumentam de tamanho com o desenvolvimento do broto, tornando-se verdes, pilosas e, às vezes, atingindo 5 cm de comprimento.
- Folhas: opostas ou em grupos de três, simples, com 15 a 25 cm de comprimento e 4 a 5 cm de largura. Largamente ovadas, cordadas na base, inteiras, às vezes onduladas, agudas ou acuminadas. Nervuras plumosas, com nervura central e nervuras primárias proeminentes. Aglomerados de glândulas escuras, que secretam néctar, ocorrem nas axilas das nervuras primárias. Ao emergirem do botão, são involutas e arroxeadas; quando totalmente desenvolvidas, tornam-se verde-brilhantes e lisas na face superior, e verde-claras e pubescentes na face inferior. Quando amassadas, exalam odor desagradável. Escurecem e caem após a primeira geada forte. Pecíolos robustos, cilíndricos e longos.
- Flores: florescem em junho e julho. Perfeitas, brancas, dispostas em panículas tirsoides multifloras, com 20 a 25 cm de comprimento. Pedicelos delgados e pubescentes.
- Cálice: globular e pontiagudo no botão; posteriormente divide-se em dois lóbulos amplamente ovados, inteiros, verdes ou lilás-claros.
- Corola: campanulada, com tubo intumescido, ligeiramente oblíquo, bilabiado e pentalobado; os dois lóbulos superiores menores que os três inferiores, imbricados no botão. Limbo expandido e ondulado, com cerca de 4 cm de largura e 5 cm de comprimento, branco, marcado internamente por duas fileiras de manchas amarelas e, na garganta dos lóbulos inferiores, por manchas roxas.
- Estames: dois, raramente quatro, inseridos próximo à base da corola, introrsos e ligeiramente exsertos; anteras oblongas, bicelulares, abrindo-se longitudinalmente; filamentos achatados e filiformes. Três filamentos estéreis, inseridos perto da base da corola, frequentemente rudimentares.
- Pistilo: ovário súpero, bicelular; estilete longo e filiforme, com estigma bilabiado. Óvulos numerosos.
- Fruto: cápsula longa e delgada, quase cilíndrica, bicelular, com partição perpendicular às valvas, medindo de 15 a 50 cm de comprimento, de cor marrom; permanece na árvore durante todo o inverno, abrindo-se antes de cair. Sementes com cerca de 2,5 cm de comprimento e 5 mm de largura, cinza-prateadas, aladas em ambos os lados e com extremidades franjadas.
O número cromossômico da espécie é 2n = 40.
Distribuição e ecologia
Originária dos Estados Unidos, mais especificamente da região sudeste (Alabama, Geórgia, Mississippi e Flórida), a árvore-das-trombetas se espalhou para o nordeste, sul, sudoeste e noroeste do país, além da Europa Ocidental, graças ao seu cultivo ativo.
Prefere solos úmidos, profundos e bem drenados, com pH entre 5,5 e 7,0, mas também se adapta a solos secos e encharcados. Desenvolve-se bem em locais abertos e ensolarados, bem como em meia-sombra.
Cultivo e usos
É uma árvore de crescimento rápido e amplamente cultivada como ornamental. A árvore-das-trombetas destaca-se por apresentar algumas das flores mais vistosas entre as árvores nativas da América do Norte. Seu valor ornamental é reconhecido há muito tempo, ocupando lugar cativo em parques e jardins de países de clima temperado. É facilmente propagada por sementes, que germinam no início da estação de crescimento, e também por estacas. A árvore é relativamente resistente a doenças fúngicas e possui poucos inimigos naturais.
Esta espécie é utilizada em quebra-ventos e em projetos de recuperação de áreas degradadas pela mineração.
A madeira é semelhante à de outras espécies do gênero Catalpa: leve e macia, com propriedades físicas similares às do salgueiro, porém altamente resistente à decomposição, ao contrário deste. É empregada na construção civil, em acabamentos internos, carpintaria, postes de cerca, dormentes ferroviários e como lenha.
Diversas partes da planta foram utilizadas no passado para fins medicinais. Infusões e chás feitos com vagens, sementes, folhas, casca e raízes eram usados como antiespasmódicos, remédios cardíacos, sedativos, anti-inflamatórios, antissépticos, anti-helmínticos, laxantes e diuréticos. No entanto, algumas partes da planta (como as raízes) são venenosas.
As catalpas são boas plantas melíferas. Florescem por cerca de três semanas, e cada flor produz vários miligramas de néctar por dia, em condições favoráveis. Elas fornecem às abelhas um fluxo relativamente constante de néctar.
Simbiose
Um estudo de 2003, conduzido por J. Ness, demonstrou que, quando a lagarta da mariposa Ceratomia catalpae começava a se alimentar das folhas da árvore-das-trombetas, a planta passava a produzir néctar em maior quantidade. Esse néctar, por sua vez, atraía um número maior de formigas da espécie Forelius pruinosus para as folhas danificadas, conferindo proteção adicional à planta como um todo, um exemplo de relação simbiótica entre a árvore e insetos associados.
Cultivares
Diversas cultivares são distinguidas, incluindo:
- 'Aurea', com brotos e folhas amarelo-dourados que posteriormente se tornam verdes.
- 'Nana', com folhas significativamente menores e copa densamente ramificada, que se achata com a idade. Esta cultivar é geralmente enxertada sobre porta-enxerto e utilizada como árvore de vaso ou de rua.
Toxicidade
A planta inteira é levemente tóxica; o principal composto ativo é a catalpina, presente em todas as partes, exceto nas sementes. As folhas também contêm aproximadamente 1,5% de ácido p-cumárico, ácido ursólico e ácido cafeico. A madeira contém compostos quinonoides que podem causar reações alérgicas em contato com a pele.
Possíveis confusões
Outra espécie ornamental frequentemente plantada em parques e jardins, o kiri-japonês (Paulownia tomentosa), assemelha-se à árvore-das-trombetas, mas pertence a uma família diferente: a Paulowniaceae. Os kiris-japoneses diferem, em particular, pelas flores roxas que surgem na primavera, pelas folhas opostas (em vez de verticiladas em verticilos de 2 ou 3) e pubescentes em ambas as faces (em vez de glabras na face superior), além dos frutos em cápsulas ovais com cerca de 4 cm de comprimento.
Galeria
Referências
Ligações externas
- Catalpa bignonioides | Jardim Cor
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